Governo Lula registra déficit primário de R$ 53,3 bilhões em maio, 32% pior que o mesmo mês de 2025
- Núcleo de Notícias

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Governo que arrecada R$ 1,323 trilhão em cinco meses ainda assim gasta mais do que recebe

O governo central registrou déficit primário de R$ 53,257 bilhões em maio, informou o Tesouro Nacional nesta segunda-feira, resultado 32% pior que o déficit de R$ 40,249 bilhões do mesmo mês de 2025 e mais uma evidência de que a trajetória fiscal brasileira segue em deterioração independentemente do nível recorde de arrecadação.
O número de maio se encaixa num quadro que os dados dos últimos meses tornaram inequívoco. Em março, o déficit primário havia atingido R$ 80,7 bilhões. As estatais federais acumularam déficit recorde de R$ 5,93 bilhões nos primeiros quatro meses de 2026, o pior resultado desde 2002, num ritmo que, mantido, entregará rombo anual três vezes superior ao de 2025. A dívida bruta chegou a 80,4% do PIB em abril e a Instituição Fiscal Independente projeta que alcançará 86,2% do PIB em 2027.
O paradoxo fiscal do governo Lula está estampado nos próprios dados do Tesouro: a arrecadação federal cresceu 10,7% acima da inflação em maio e acumula R$ 1,323 trilhão nos primeiros cinco meses do ano, alta real de 6,42% sobre 2025. O governo arrecada mais do que nunca e ainda assim entrega déficits crescentes. A explicação é simples: os gastos crescem mais rápido do que as receitas. Cada real adicional que entra pelos tributos é insuficiente para cobrir a expansão das despesas, que abrangem novos programas sociais, aumento do funcionalismo, subsídios, transferências e o custo crescente dos juros sobre uma dívida que não para de subir.
O custo dessa equação recai diretamente sobre o contribuinte e sobre a economia. Com a dívida em trajetória ascendente e as expectativas fiscais se deteriorando, o Banco Central é obrigado a manter juros mais altos por mais tempo, o que eleva o custo do crédito para famílias e empresas, comprime o investimento privado e alimenta a inadimplência que já atinge 9 milhões de CNPJs negativados, recorde histórico, e 82,8 milhões de pessoas físicas. O Tesouro IPCA+ 2032 renova máximas históricas a 8,56% ao ano precisamente porque o mercado exige prêmio crescente para financiar um governo que gasta mais do que arrecada de forma persistente e sem plano crível de correção.
O Brasil ocupa a última posição no ranking de retorno de impostos em qualidade de vida pelo 15º ano consecutivo, tem o maior juro real do mundo, vê suas exportações aos EUA no menor nível em 30 anos e cai para a 65ª posição no ranking de competitividade global.




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