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Transparência Internacional pede afastamento de Gonet do caso Master

há 2 horas
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Entidade classifica como "grave" aceitação de viagem e entretenimento de luxo custeados por Vorcaro



A Transparência Internacional, organização não governamental global dedicada a combater a corrupção e promover a integridade, a ética e a transparência no setor público e privado, pediu nesta sexta-feira (25) que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se declare impedido e deixe de participar das decisões relacionadas ao caso Master, sob o argumento de que a suposta proximidade entre ele e o banqueiro Daniel Vorcaro levanta possível conflito de interesses. O pedido foi apresentado no mesmo dia em que o Conselho Superior do Ministério Público Federal analisa a atuação de Gonet no caso.


A organização classificou como grave o fato de Paulo Gonet ter aceitado viagem e entretenimento de luxo patrocinados pelo empresário: "É grave, contudo, o fato de o procurador-geral ter aceitado viagem e entretenimento de luxo patrocinados por um empresário, ainda mais por se tratar de um banqueiro de notória má reputação, que já havia sido alvo de pedido de prisão em 2019", declarou a entidade.


Segundo a Transparência Internacional, porém, o cerne de suas críticas não está num eventual favorecimento pessoal a Vorcaro, mas na atuação de Gonet diante de apurações envolvendo ministros do próprio Supremo. "As principais críticas a Gonet não dizem respeito a um eventual favorecimento a Vorcaro, mas à sua omissão diante de indícios robustos de crimes graves de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo ministros do Supremo", afirmou a organização, citando especificamente o relatório da Polícia Federal relacionado ao ministro Alexandre de Moraes. Segundo a entidade, o procurador-geral Paulo Gonet teria solicitado o arquivamento de apurações mesmo com seu próprio nome citado no mesmo documento — circunstância que, na avaliação da organização, "suscita uma evidente questão de conflito de interesses".


A Transparência Internacional defende que a PGR leve ao plenário do STF os pedidos de investigação ainda pendentes sobre suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes atribuídos a ministros da Corte, seguindo os mecanismos institucionais previstos tanto para o Ministério Público quanto para o Judiciário. Além do afastamento de Gonet do caso Master, a entidade propõe mudanças mais amplas nas regras aplicáveis aos integrantes do MPF, incluindo a criação de orientações e treinamentos para prevenir conflitos de interesses e regras específicas para disciplinar o recebimento de benefícios por membros da instituição. A organização também sugere que o CSMPF discuta com o Congresso uma possível revisão das normas sobre decisões de arquivamento em processos de competência originária do procurador-geral, medida que, segundo a entidade, ampliaria os mecanismos de controle sobre decisões tomadas diretamente por quem ocupa o cargo — justamente o tipo de controle que, segundo o desfecho já sinalizado pelo próprio CSMPF nesta sexta, tem se mostrado estruturalmente difícil de acionar quando o objeto da apuração é o presidente do colegiado responsável por julgá-lo.



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