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8 de janeiro: A canalhice de negociar vidas


A crise em torno da anistia dos presos políticos do 8 de janeiro ganhou contornos ainda mais graves ao revelar um traço profundo de manipulação na classe política. O que deveria ser uma pauta humanitária essencial para reparar injustiças, corrigir excessos punitivos e restaurar direitos, foi sequestrada por interesses eleitorais, negociatas internas e cálculos de poder. Em vez de tratar pessoas que continuam atrás das grades como seres humanos, muitos parlamentares transformaram as vidas desses cidadãos em degraus de palanque, utilizados sem pudor para capitalizar apoios e consolidar posições para 2026.


Essa deformação moral fica evidente quando parlamentares tratam o tema como peça de barganha, pisando politicamente sobre caixões de pessoas vivas. A metáfora não poderia ser mais adequada: famílias em sofrimento são ignoradas enquanto líderes partidários moldam palanques com base no destino de quem continua encarcerado.


Nesse cenário, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, tornou-se símbolo de uma ruptura grave de compromisso. Ele chegou ao cargo prometendo conduzir a pauta da anistia, fez da promessa seu principal ativo eleitoral perante seus pares — e simplesmente rompeu com a palavra após eleito. A promessa de pautar a anistia foi decisiva para sua vitória. O descumprimento, portanto, não é mero deslize, mas violação de decoro, quebra de fé pública e sabotagem deliberada de um acordo político firmado com seus colegas e, por consequência, com eleitores de todo o país.


No entanto, apesar do caráter objetivo dessa quebra de confiança, que deveria resultar na abertura de processo para destituí-lo da presidência da Câmara, nada acontece. Nenhum parlamentar protocolou a medida, nenhum movimento coordenado foi feito para preservar o respeito mínimo ao decoro legislativo. O que se vê, ao contrário, é uma sucessão de manobras para adiar, diluir ou contornar a discussão da anistia — enquanto os presos sofrem a consequência do cinismo parlamentar.


A situação degrada-se ainda mais com a tentativa de rebatizar o projeto como “PL da Dosimetria”, manobra escancaradamente usada para enfraquecer o conceito de anistia e tentar empurrar ao Congresso uma pseudorreforma que, na prática, legitima as decisões abusivas do Supremo Tribunal Federal. Chamar esse expediente de “escarnecido” não é exagero: trata-se de um artifício para desviar o debate e evitar a votação efetiva de uma anistia ampla, nos termos constitucionais.


Enquanto isso, figuras politicamente úteis ao Sistema — como Paulinho da Força — são apresentadas como habilidosos articuladores, apesar de seus próprios problemas no Judiciário. Em outras palavras, escolhem-se operadores convenientes, e não aqueles comprometidos com a justiça ou com a Constituição.


Já a oposição, embora mobilizada em alguns momentos, ainda age com extrema timidez. Obstruções irrelevantes, meramente simbólicas, e discursos indignados não substituem a postura institucional firme que deveria prevalecer: protocolar a destituição de Hugo Motta, registrar a quebra de compromisso e expor publicamente a manipulação que tem sido feita com a vida dos presos de 8 de janeiro e de seus impotentes familiares. Mesmo que o projeto de resolução fosse derrotado, seria um sinal claro de posicionamento — e não a atuação infantil de obstrução momentânea, de como quem “senta na mesa do professor” esperando, como se fosse possível, um gesto magnânimo da mesa diretora.


Enquanto o Congresso continua a postergar tão indispensável pauta, famílias vivem o drama real. Pais, mães, esposas, maridos e filhos seguem aguardando um gesto mínimo de decência institucional. É desses brasileiros, e não de parlamentares, que parte a verdadeira compaixão. Já a classe política, enquanto autoridades detentoras de poder, quando não se omite, utiliza o sofrimento dessas pessoas como moeda de troca.


O ano chega ao fim, e a sensação é de que a pauta seguirá sendo usada como ferramenta eleitoral em 2026. A manipulação é evidente, a quebra de palavra é objetiva e a falta de ação é indesculpável. A anistia deveria ser tratada como instrumento constitucional de restabelecimento da verdade, justiça, da honra e da ordem. Mas, na mão daqueles que deveriam defendê-la, virou mais uma peça de um jogo de poder marcado por cálculo, canalhice, covardia e conveniência.


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