O governo Lula massacra a população
- Carlos Dias
- há 49 minutos
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O governo Lula transformou a arrecadação recorde em instrumento de propaganda, mas os números que realmente importam são os que medem a vida das famílias. A pesquisa PoderData, divulgada em 29 de julho, revela o abismo entre a retórica oficial e a realidade do brasileiro. Sessenta e nove por cento da população afirmam que preços e contas subiram nas últimas semanas, alta de 18% desde dezembro. Apenas 16% percebem estabilidade e 8% registraram queda. A expectativa se deteriorou na mesma proporção: 63% acreditam que a inflação continuará subindo, contra 45% em dezembro. Em sete meses, o pessimismo avançou dezoito pontos.
O dado mais revelador não está nas projeções técnicas, mas na condição concreta dos lares brasileiros. Quarenta e sete por cento não teriam R$ 500 para uma emergência. Praticamente metade do país vive sem qualquer reserva. O percentual de quem afirma que suas finanças pioraram nos últimos seis meses subiu 23% desde dezembro, chegando a 42% em julho. O IPCA já está acima do teto da meta. O Ministério da Fazenda elevou a projeção de inflação para 5,1% em 2026. O Banco Central sinaliza juros restritivos por período prolongado, com a Selic a 14,25% ao ano. O contribuinte paga o preço duas vezes: pela inflação que corrói seu rendimento e pelos juros que incidem sobre a dívida que o próprio governo gerou com seu gasto excessivo.
O Relatório Resumido da Execução Orçamentária, divulgado pelo Tesouro em 29 de julho, confirma o padrão que o TCU já havia anunciado. O governo empenhou R$ 3,94 trilhões no semestre e liquidou R$ 2,07 trilhões em despesas. A arrecadação de R$ 2,94 trilhões não foi suficiente para cobrir o ritmo de gasto. A Previdência Social é o principal vetor de pressão. O Regime Geral acumulou déficit de R$ 235,4 bilhões no semestre, com receitas de R$ 365,5 bilhões e despesas de R$ 600,9 bilhões. Somados os regimes dos servidores civis e dos militares, os três regimes previdenciários totalizam um rombo de quase R$ 297 bilhões em apenas seis meses. O FMI projeta que a dívida bruta sairá dos atuais 94,3% do PIB para 105,5% nos próximos quatro anos. É a trajetória de um país que caminha para o descontrole fiscal sem qualquer sinal de reversão estrutural.
A conjugação desses elementos revela um encadeamento que precisa ser explicitado. A dívida em R$ 9,268 trilhões com Selic a 14,25% faz do serviço da dívida uma parcela crescente e autônoma de deterioração fiscal. O déficit nominal de R$ 624 bilhões no semestre demonstra que os juros já são, por si sós, um mecanismo de destruição orçamentária. Cada ponto percentual que a Selic permanece elevada adiciona dezenas de bilhões ao custo da dívida. E a Selic permanece elevada justamente porque o gasto público excessivo alimenta a inflação, que impede o Banco Central de reduzir os juros. É o ciclo vicioso que Mises descreveu com precisão: o Estado expande o gasto, o gasto gera inflação, a inflação exige juros altos, os juros elevam o custo da dívida, o custo da dívida exige mais gasto. Não há saída dentro da lógica intervencionista.
A base tributária já dá sinais de fadiga. O governo arrecada em nível de país europeu e entrega serviços abaixo da média emergente. O Brasil ocupa a última posição pelo décimo quinto ano consecutivo no índice que mede o retorno de impostos em qualidade de vida. A arrecadação recorde de junho inclui R$ 7,8 bilhões em fatores não recorrentes: R$ 4 bilhões em tributos sobre resultados extraordinários de empresas e R$ 3,8 bilhões em imposto temporário sobre exportação de petróleo. Sem esses efeitos atípicos, o crescimento real cai de 7,72% para 4,38%. Não há espaço para aumentar ainda mais a carga sem destruir o que resta da atividade privada.
A arrecadação sobre exportação de petróleo saltou de R$ 819 milhões para R$ 15,388 bilhões em um ano, reflexo direto da guerra no Oriente Médio. Essa receita é temporária e depende de um cenário de conflito. Quando o petróleo normalizar, desaparece. As tarifas de até 37,5% sobre produtos brasileiros impostas pela política comercial americana reduzem a competitividade externa e pressionam a balança comercial. O país fica exposto a choques que não controla, com contas internas já em desequilíbrio.
Com 47% sem R$ 500 para emergência e 42% relatando piora financeira, o quadro social se deteriora em ritmo acelerado. A inflação que o gasto público alimenta corrói o salário real e a capacidade de poupança das famílias. A promessa de que o Estado provê bem-estar esbarra na realidade de que o mesmo Estado é o principal responsável pela perda de poder de compra da moeda. A combinação de déficit primário crescente, dívida em trajetória ascendente e ausência de reformas reduz a confiança dos investidores. O Brasil já convive com prêmio de risco elevado. A manutenção dessa trajetória pode levar a uma espiral de desconfiança, com saída de capitais, pressão cambial e inflação ainda mais alta, atingindo exatamente a população que o governo diz proteger.
O que se vê não é acidente. É o resultado lógico de um modelo que coloca o Estado no centro da vida econômica e trata o cidadão como instrumento de arrecadação. A reversão passa necessariamente pela redução do gasto, pela reforma previdenciária estrutural, pela privatização de ativos improdutivos e pela devolução ao setor privado daquilo que o Estado demonstrou incapacidade de administrar. Enquanto isso não ocorre, o bolso do brasileiro continua pagando a conta de uma experiência que já falhou em todos os lugares onde foi tentada.
